Hiperatividade e déficit de atenção

4 problemas comuns que surgem no diagnóstico de TDAH em crianças


Já faz algum tempo que se fala mais em Transtorno de Déficit de Atenção e / ou Hiperatividade. No entanto, quando se trata de fazer o diagnóstico de TDAH em crianças, psicólogos encontramos alguns problemas. Em primeiro lugar, discute-se se esse transtorno realmente existe ou foi 'inventado' e, por outro lado, nos deparamos com certos preconceitos e circunstâncias que geram muitas dúvidas no momento de diagnosticá-lo. Falaremos sobre tudo isso a seguir.

Alguns profissionais abrir um debate sobre a existência ou não do Transtorno de Déficit de Atenção com / sem Hiperatividade (TDAH). A chave não é decidir se existe ou não, nem é uma decisão que um grupo de profissionais deva tomar. Se uma coisa está clara, é que a neurociência revela que as pessoas com TDAH têm características incomuns de função cerebral, como um padrão de desenvolvimento cerebral mais lento em certas áreas do cérebro.

Levando em consideração os dados de diversos estudos (como o recente Hoogman et al. 2017), o debate sobre a existência ou não do transtorno tem pouca relevância.

Hoje, sabemos que o TDAH é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por uma série de sintomas como déficits de atenção, impulsividade e / ou hiperatividade que sejam mantidos por tempo prolongado, superior a 6 meses, entre outros critérios, indicados pela American Psychiatric Association.

Os profissionais detectam, em nossa prática clínica cotidiana, algumas barreiras que dificultam um bom diagnóstico do TDAH. Aqui estão alguns deles:

1. Sobrediagnóstico

Devemos admitir que o TDAH é um transtorno que está 'na moda', de que se fala muito e que nos faz pensar com muita facilidade quando se detecta alguma dificuldade de atenção, impulsividade ou hiperatividade, seja em crianças ou em adultos.

Portanto, alguns dados revelam que, atualmente, há um sobrediagnóstico desse transtorno. A incidência deste distúrbio pode ter aumentado, mas Existem realmente mais casos desse Transtorno do Neurodesenvolvimento? Ou é verdade que as dificuldades de atenção e impulsividade tendem a ser mais frequentemente rotuladas de TDAH devido a um diagnóstico diferencial deficiente?

2. O TDAH pode ocorrer junto com outros transtornos

Essas últimas questões nos dão a oportunidade de comentar sobre outras barreiras que os profissionais encontram, que é a alta comorbidade do TDAH com outros transtornos, ou seja, TDAH pode coexistir com outras pessoas como distúrbios de aprendizagem (TANV), distúrbios comportamentais, distúrbios do espectro do autismo, etc. como apontado em estudos como o de Hervás e Durán em 2014.

Além disso, déficits de atenção ou impulsividade também estão presentes em outros transtornos, o que torna um bom diagnóstico diferencial muito difícil. Acima de tudo, em uma idade precoce, quando ainda há grande variabilidade nos sintomas e muitas funções cognitivas não adquiriram um desenvolvimento ideal.

3. Você não se educa definindo regras e limites

A próxima barreira que encontramos para fazer um bom diagnóstico é saber diferenciar se a criança tem TDAH ou se ela foi educada sem limites. A criança não termina a tarefa, não fica parada ou não respeita a vez de falar devido a dificuldades de atenção e impulsividade? Ou a criança não segue regras de comportamento e fazer o que quiser?

Em alguns casos, o perfil neuropsicológico da criança está dentro da média para sua faixa etária e a chave para seu comportamento impulsivo e perturbador é o resultado da desobediência porque regras e limites não foram estabelecidos.

4. Tratamento farmacológico como primeira escolha

Em termos gerais, quando há diagnóstico de TDAH, a primeira escolha de tratamento costuma ser farmacológica. Como você pode imaginar, medicamentos em crianças é um assunto controverso e contra o qual muitos pais se opõem. Portanto, muitos deles evitam fazer uma avaliação neuropsicológica de seu filho ou filha, a fim de evitar tal diagnóstico e, assim, afastar a possibilidade de um tratamento farmacológico para ele. Se, ao final, a criança tiver TDAH e as medidas cabíveis não forem tomadas, isso afetará seu desempenho acadêmico, sua interação com os colegas (ambiente social) e sua autoestima (área emocional).

Atualmente não existe um tratamento curativo para o TDAH, mas o tratamento multimodal, que combina intervenções farmacológicas e psicológicas, é a abordagem que se mostrou mais eficaz nesse transtorno, conforme demonstrado por meio do grupo de trabalho de o 2017 Clínica Practice Guideline on Therapeutic Interventions in ADHD.

Em suma, essas são apenas algumas das barreiras que os profissionais encontram ao fazer um bom diagnóstico desse transtorno; para não falar de outros, como os preconceitos ou crenças de cada pessoa (cada pai e cada mãe). Portanto, para fazer um bom diagnóstico diferencial de TDAH é essencial para usar medidas objetivas para avaliação das funções cognitivas e descarte de instrumentos de avaliação baseados em opiniões e observações de pais, responsáveis ​​legais e / ou professores, como autorrelatos e questionários para pais.

Referências bibliográficas

  • American Psychiatric Association (2013). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Quinta edição. DSM-V. Masson, Barcelona.
  • Grupo de trabalho sobre as Diretrizes de Prática Clínica sobre Intervenções Terapêuticas no Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Guia de prática clínica em intervenções terapêuticas no transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Ministério da Saúde, Serviços Sociais e Igualdade. Instituto Aragonês de Ciências da Saúde (IACS); 2017 Diretrizes de Prática Clínica no SNS.
  • Hervás, A. & Durán, O. (2014). TDAH e sua comorbidade. Comprehensive Pediatrics XVIII (9): 643-654
  • Hoogman, M. et al. (2017). Diferenças de volume cerebral subcortical em participantes com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em crianças e adultos: uma meganálise transversal. The Lancet. 4 (4), 310-319

Melina Núñez Martín. Psicólogo Geral de Saúde

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