Ortopedia e traumatologia

O perigo para a saúde de uma criança de herdar sapatos de seu irmão


Embora pensemos que é uma boa ideia herdar sapatos de irmãos, primos ou amigos Por não serem amplamente utilizados, não devemos obrigar as crianças a reaproveitar calçados, pois podem ser prejudiciais à saúde. Conheça os riscos e perigos de fazer isso!

Cada pessoa adapta o calçado ao seu pé e à sua forma de caminhar. Se você olhar um sapato usado, poderá ver internamente as marcas da impressão do dedo do pé e às vezes até o salto. Por fora, nota-se desgaste da pele na zona dos dedos, embora o mais marcante seja a sola. Você pode ver como o desenho desaparece em diferentes áreas onde há mais atrito.

Talvez esse desgaste seja simétrico em ambos os pés, ou talvez seja mais pronunciado em um dos dois. Se for esse o caso e outra criança usar aquele sapato, ela pode desenvolver uma perna curta falsa, com suas adaptações correspondentes, problema no joelho, quadril, lombar, nas costas, no pescoço e até mesmo numa mordida ruim ou problemas de visão.

Outra coisa que se destaca é a sola do salto vista por trás. Aí podemos ver se há mais desgaste na borda interna, causando um valgo do calcâneo (osso do calcanhar) ou na borda externa, gerando um varo calcâneo. Esse desalinhamento do calcanhar vai influenciar também o resto do membro inferior, gerando torções que a coluna deve compensar, para manter a horizontalidade do olhar.

Nessas primeiras idades andar com um sapato usado Pode causar atrito, deformidades nos dedos dos pés, afetar o crescimento do pé e do restante das estruturas em formação, fazer com que apareça um suporte ruim e produzir torção adaptativa nas pernas e até mesmo compensação nas costas, pescoço ou mandíbula.

Devemos nos perguntar quando e em que casos começar a ter bebês. Talvez tenhamos tendência a fazê-lo cedo, movidos pela inércia da moda, já que há cada vez mais sapatos adultos na versão 'mini', e é muito engraçado ver os pequeninos com aqueles sapatos marcantes mas, você realmente fazem falta? São os calçados de que precisam?

Forçar um bebê despreparado a ficar de pé ou andar não é aconselhável. Cada criança tem o seu ritmo, e querer ir na frente porque o filho do vizinho já está fazendo pode causar torção nos ossos das pernas em formação.

Sapatos em bebês só devem ser usados ​​para protegê-los do frio ou de superfícies perigosas. Escusado será dizer que um bebé que não anda não necessita de calçado, aliás, seria contraproducente passar muito tempo com eles, visto que os privam de uma grande experiência sensorial essencial para o seu desenvolvimento.

Segundo estudo de Isabel Gentil, professora da Escola Universitária de Enfermagem, Fisioterapia e Podologia, da Universidade Complutense de Madrid, “andar descalço é um estímulo que acelera a maturação e o desenvolvimento intelectual”.

Se possível, é importante que, quando seu filho começar a engatinhar e andar, o faça descalço. Caso contrário, devemos procurar um calçado muito flexível, que possamos dobrar facilmente com uma mão, de modo que as muitas articulações do pé possam se mover sem restrições.

Os sapatos devem ser macios, leves, feitos de materiais respiráveis, com sola antiderrapante, mas não muito grossos e largos o suficiente para que os dedos dos pés não sejam comprimidos. Devem ter atacadores ou velcro. Não é apropriado que crianças pequenas usem sapatos tipo mocassim, sapatilhas, chinelos ou tamancos ...

Conforme a criança cresce, ela deve ser instruída a não usar calçados específicos para esportes o dia todo. É comum ver meninos de chuteira desde o início da manhã até o final da tarde. Este sapato não é muito flexível, tem uma biqueira estreita, pode causar dureza e, a longo prazo, deformações no pé.

Também não seria aconselhável usar sapatos com rodas ou com muito amortecimento. A função de amortecimento deve ser feita pelo pé. Se nos acostumarmos com muito amortecimento, enfraqueceremos os músculos e encurtaremos a panturrilha. A longo prazo, vamos favorecer o aparecimento de fasceíte, tendinite ...

Nem devemos comprar botins como primeiros sapatos. Embora pensemos que são melhores para os pequenos porque 'seguram-nos bem', limitam a mobilidade do tornozelo e modificam o andar. Eles estariam aprendendo a andar com o padrão de movimento errado. Quanto mais rígido o calçado e a sola, menor será a ativação muscular e mais fraqueza ocorrerá nos músculos intrínsecos do pé, o que pode favorecer patologias como o pé chato.

O contacto do pé descalço com o solo e diferentes superfícies (relva, areia ...) aumenta a propriocepção do bebé (capacidade de estar atento às nossas articulações no espaço) e a sensibilidade dos receptores cutâneos. Melhora o estímulo que ajuda os músculos do pé e das pernas a serem ativados corretamente, e que aos poucos se forma o arco plantar. Também aumenta sua coordenação e equilíbrio. Precisa de mais motivos para o seu filho andar descalço pela casa?

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