Mudanças psicológicas

O desafio de um pai com um filho adolescente: acompanhá-lo em sua solidão


Na adolescência, os momentos de solidão são muito frequentes. Para os pais, esses momentos são uma verdadeira crise porque a relação com os filhos muda radicalmente para um tom um tanto crítico, com cada vez mais discussões e um desentendimento cada vez mais evidente entre as partes. É tão poderoso e tão pouco compreensível que é realmente necessário redescobrir o que isso significa, um desafio para pais com filhos adolescentes: acompanhá-los na solidão.

Há uma música que imediatamente me chamou a atenção por causa do título. Ricardo Arjona é o autor e o título 'Acompanha-me para ficar sozinho'. Quer a música seja boa ou não, o que me atraiu foi o título da música. Contraditória e ao mesmo tempo reflexiva a metáfora de veja a solidão como um momento em que ela também pode ser acompanhada. Tendemos a ver essa mesma atitude como um sinal de depressão ou momentos angustiantes. Tendemos até a descrever fielmente esses momentos, projetando até aqueles cantos favoráveis ​​onde a solidão se manifesta.

É importante redefinir o que é essa solidão dentro do processo psicológico. Gloria Carvajal-Carrascal destaca que essa experiência se manifesta em uma fase de transição de ser criança para adulto, que se inicia com mudanças na puberdade e é caracterizada por profundas transformações biológicas, psicológicas e sociais, muitas das quais geram crises, conflitos e contradições. Essas mesmas contradições o convidam a se retirar quase que instintivamente, porque um turbilhão de idéias e noções começa a ser gerado em sua consciência que nem mesmo o jovem pode processar. Por este motivo, tende a fechar e não quer compartilhar com seu entorno.

Perguntando sobre o Causas Possíveis, Podemos destacar: timidez, baixa autoestima, separação, doença física, complexidades pessoais, conflitos, rejeição ou crítica por ser mal interpretado, etc. Ou seja, uma gama completa de variáveis ​​que, somadas a um mesmo estado de desenvolvimento, permitem essa sensação.

Há um aspecto muito interessante e novo da psicologia chamado perinatal, que especifica que Este estado vem de um estilo parental típico do sistema de trabalho atual, o que gera um estilo de maternidade que não é propriamente fechado, mas devido às mesmas obrigações de trabalho, os pais são obrigados a deixar seus filhos a partir dos oito meses aos cuidados de um parente ou em uma creche. Por isso, impede o exercício do papel propriamente materno, o que permite gerar empatia e aceitação entre ela e os filhos. Além disso, sabe-se que existe um aumento da taxa de depressão pós-parto entre as mães, o que pode implicar no crescimento da depressão em seus filhos na adolescência.

Tendo isso claro, é importante apontar o que fazer a respeito. Uma coisa é saber as causas, mas é mais importante desenvolver estratégias claras e concretas para poder acompanhar nossos filhos dentro do próprio estado. Vamos ver algumas dicas para trabalhar essas dificuldades. Algumas dessas dicas são apontadas por Fernando Clementín, e eu as indico porque ao invés de doutrinar adolescentes, tenta-se acompanhar esse estado:

- Acompanhamento e sem orientação
Essa precisão de conceitos significa que o jovem não exige que alguém o doutrine sobre o que ele deve fazer, mas sim que alguém esteja com ele. Se forem feitos julgamentos críticos sobre sua condição, a tendência é que o jovem se feche novamente porque não quer ser processado, mas sim ouvido.

- Gerar outros tipos de atividades
Motive-o a realizar ações que evitem o mesmo estado de solidão; especialmente em um contexto atual de relacionamentos que tendem a ser bastante virtuais. Trekking, mountain bike, tênis, futebol, leitura recreativa, arte, música devem surgir para sair desses estados. O fundamental é saber ler o que gosta e não julgar o mesmo gosto. Isso também adiciona outro momento de acompanhamento.

- Reavaliar hábitos
Geralmente são um fator de rejeição porque tendemos a representá-los de forma autoritária e pouco compreendida. Por esse motivo, nossa história deve tender a ser mais explicativa ou narrativa; para que o jovem não só compreenda sua importância, mas também a ressignifique para ele.

- A bondade da solidão
Não é tão negativo em si, mas é uma poção que pode ser encontrada. Olhar desse ponto de vista também gera empatia para os jovens, pois tira a pressão desses momentos.

A solidão não é apenas um momento difícil, é o convite para se encontrar. É importante acompanhar quem vive esse momento. Não vamos julgá-los, mas ser como aquele fiel companheiro que não ignora seu fardo, mas zela por seu sonho, assim como o personagem chamado Sam em 'O Senhor dos Anéis'. Ele não julgou Frodo em sua peregrinação com o anel, mas estava com ele o tempo todo apenas para segurá-lo.

Esperançosamente, podemos exercitar isso em nossos adolescentes, porque esta fase representa precisamente uma peregrinação da infância à idade adulta. O desafio é que podemos acompanhá-los fielmente durante esta etapa.

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